26/04/2016

Robert Park (1864 - 1944)

Robert Ezra Park foi um sociólogo norte-americano e um dos mais eminentes pensadores da Escola de Chicago. O trabalho de Park se destaca por seus estudos em relações de raça, migração, assimilação, movimentos sociais e desorganização social no espaço urbano. O sociólogo dedicou seus trabalhos à tentativa de fornecer um modelo para compreensão dos processos de interação entre indivíduos e comunidades e seu ambiente urbano. Sua produção acadêmica é marcada por seu método de pesquisa empírica, influenciado em grande parte por sua experiência enquanto jornalista: Park sempre defendeu a necessidade de observar concretamente o comportamento humano e as relações entre indivíduos no contexto urbano, incentivando seus alunos a ir às ruas para ter contato direto com as comunidades marginalizadas da cidade. Grande parte de sua experiência empírica ocorreu em Chicago, que como muitas grandes cidades, é uma civilização comprimida em um pequeno espaço geográfico, apresentando uma dinâmica social marcada pela diversidade de grupos.

A vivência de Park no jornalismo se iniciou em Minneapolis e Detroit. De 1887 até o fim dos anos 90, Park trabalhou como reportador para jornais em Denver, Nova Iorque e em várias partes do Centro-Oeste. Tal experiência moldou sua visão quanto às dinâmicas de uma comunidade. Park entendia que o sociólogo era "um tipo de superjornalista, como o homem que escreve para Fortune relatando a longo prazo tendências que registram o que de fato está acontecendo, ao invés de relatar, superficialmente, o que meramente aparenta estar acontecendo”. Na Universidade de Michigan, Park foi apresentado a Franklin Ford, com quem planejou um jornal, The Thought News. A ideia consistia em um esforço para registrar a opinião pública e, apesar de nunca ter sido levada à prática, antecipou eventos futuros da atuação de Park enquanto jornalista.

Ecologia Humana

Park cunhou o termo "ecologia humana", assim designando o método definido como uma tentativa de aplicar às relações humanas um tipo de análise previamente aplicado às interações entre plantas e animais. Para o sociólogo, a ordem social vem a existir em razão da competição e é mantida por esta, assim como ocorre nas sociedades do meio natural. Tais comunidades distinguir-se-iam pela existência de aspectos institucionais ou morais limitantes do caráter simbiótico das relações humanas. 

Park entende que as inter-relações humanas não são idênticas àquelas das comunidades compostas por outros organismos vivos sob regime de "economia biológica" (territorialmente organizadas, com laços de união físicos, não morais, e baseadas em uma divisão natural do trabalho). Isso porque o homem estaria mais emancipado do meio ambiente em relação as demais espécies devido a troca de bens e serviços. Ainda, as tecnologias criadas pela ação humana permitiriam ao homem reformar seu habitat de modo a potencializar sua sobrevivência. E, por fim, a comunidade humana teria uma estrutura institucional fundada nos costumes e nas tradições, algo inexistente nas outras comunidades bióticas onde a estrutura é biologicamente determinada, de bases fisiológicas e instintivas.

As sociedades humanas teriam assim, segundo Park, um nível biótico, fundado na competição, e um nível cultural, oriundo da comunicação entre os indivíduos e do consenso. A primeira serviria de base para a segunda e de tal forma o homem estaria mais incorporado e subordinado à ordem superior (cultural) do que à ordem que a precede (biológica). Nesse sentido, Park estabeleceu que a sociedade restringiria a competição no meio humano através de mecanismos como o livre mercado, as leis e as convicções da comunidade. Em suma, a questão central para Park no que diz respeito à ecologia humana é que esta se distingue das sociedades de animais e plantas pela existência de uma superestrutura cultural que se impõe à subestrutura biótica, limitando a competição na sociedades humanas. Fonte: Wikipedia