16/05/2016

Audálio Dantas (1929)

Audálio Dantas nasceu em Tanque D’Arca (AL), em 8 de julho de 1929.

Começou como repórter da Folha da Manhã (antiga Folha de S.Paulo) em 1954, escrevendo textos sobre temas cotidianos, sem usar expressões que a publicação considerava elegantes na época. Em 1955, quando perceberam na redação o seu interesse por assuntos culturais, foi guindado à Secretaria do Suplemento Dominical, dirigido pela escritora Maria de Lurdes Teixeira – que viria a ganhar dois Prêmios Jabuti.

Embora o que mais gostasse na época fosse acompanhar a paginação do caderno na oficina, foi trabalhando nele que conquistou seu primeiro prêmio de reportagem: uma entrevista “não dada” por Guimarães Rosa, que lançava Grande Sertão: Veredas na capital paulista. O repórter conta que chegou à livraria onde ocorria o lançamento e, após ter seu pedido de entrevista negado pelo grande escritor e diplomata, ficou por perto e anotou as respostas dadas aos leitores e algumas dedicatórias assinadas pelo mestre. Esse material lhe possibilitou escrever a matéria.




Em 1956, o diretor de Redação da Folha da Manhã Mazzei Guimarães o despachou para a cidade de Paulo Afonso (BA), onde a Hidrelétrica do São Francisco começava a mandar energia elétrica para os estados do Nordeste. Além de descobrir como a eletricidade começava a influir na economia da região, aproveitou para trazer várias matérias sobre outros assuntos, todas com fotos.

Além da fama de bom repórter, foi conquistando a de que tinha um bom texto. E continuava fazendo algumas reportagens de sucesso. Costuma apontar como a mais importante de sua carreira a que produziu com o diário de uma moradora da favela do Canindé, em São Paulo (SP). A ideia inicial era observar o local por uma semana para uma reportagem, mas, no segundo dia de oitiva, ouviu Carolina de Jesus, uma menina, gritar para quem quisesse ouvir que denunciaria todas as mazelas dos favelados num livro que estava escrevendo.

O livro realmente existia e precisou apenas de uma abertura e uma seleção do repórter para virar matéria jornalística de primeira. A Folha da Noite a publicou e obteve grande repercussão. Em 1959, logo após ser convidado para trabalhar na revista O Cruzeiro (RJ), fez outra matéria com Carolina, e desta vez a repercussão foi internacional. O diário foi novamente compilado e resultou no livro Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada (Ática, 1960), de Carolina Maria de Jesus, que foi traduzido para 13 idiomas.

Na revista O Cruzeiro, Audálio foi redator e chefe de Reportagem. Lá permaneceu até 1966, quando passou para a Quatro Rodas (SP), da Editora Abril, onde começou como editor de Turismo. O cargo lhe rendia a oportunidade de fazer muitas viagens. No roteiro que fez do Brasil ao México, por terra, se deparou com a Guerra do Futebol (conflito entre Guatemala e Honduras, ocorrido entre os dias 14 e 18 de julho de 1969) e, assim, de repente, virou correspondente de guerra da revista Veja (SP).

Com o destaque obtido na editoria, foi promovido a redator-chefe. Fez matérias importantes: entre outras, denunciou o Hospital Psiquiátrico do Juqueri, que abrigava dez mil pacientes a mais que sua capacidade, e fez uma série sobre Canudos (BA), que estava condenada a desaparecer com o represamento do rio Vaza-Barris.

Denunciou, em outra matéria, a maratona de quatro dias de dança de carnaval promovida pela TV Record (SP). Apesar de pagar prêmios aos vencedores, Audálio as via como um verdadeiro massacre. Após o envio da matéria para a redação do Rio de Janeiro, recebeu um telex assinado por Odylo Costa Filho, que disse ter terminado de ler a matéria chorando. Foi de grande importância, já que, além de diretor da revista, Odylo era um reconhecido intelectual da época.

Na revista Realidade (SP), Audálio foi também redator e editor de muitas matérias importantes. Produziu, com Múcio Borges da Fonseca, uma edição especial sobre o Nordeste brasileiro que recebeu o Prêmio Sudene de Jornalismo de 1972. Depois de Realidade, foi chefe de Redação da revista Manchete (RJ) e editor de Nova (SP).

Em 1975, assumiu a presidência do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo (Sjsp). No dia 29 de outubro daquele ano, o órgão denunciou as omissões do caso da morte do jornalista Vladimir Herzog, sem temer pelas repercussões. Foi um marco importante no processo de redemocratização do País.

Deixou a presidência do sindicato em 1978, quando foi eleito deputado federal pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Considera ter dedicado 90% do seu mandato à luta pelas liberdades em geral e, especificamente, pela Liberdade de Imprensa. Nunca deixou de lutar pelo Jornalismo. Em 1981 recebeu o Prêmio de Defesa dos Direitos Humanos da ONU.

Foi o primeiro presidente eleito por voto direto da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), em 1983. Depois de receber apoio da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) desde os anos 70, recebeu o convite para ser vice-presidente da entidade em junho de 2005. No cargo, organizou em 2007 o Salão do Jornalista Escritor, que reuniu personalidades do Jornalismo Literário. Mas ao perceber que seus esforços eram reconhecidos, deixou a entidade em 2008. Participou do Congresso Mega Brasil 2011, em maio de 2011, onde fez comentários sobre o crescimento de jornalistas que migram para o mundo literário, julgando ser cada vez mais importante reunir os jornalistas escritores.

É diretor-executivo da revista Negócios da Comunicação (SP), da Editora Segmento MC, desde junho de 2008. Integra, desde novembro de 2012, o Conselho Consultivo do Ranking J&Cia – Os Mais Premiados Jornalistas Brasileiros.

Muitas reportagens de Audálio foram transformadas em livros, como O Circo de Desespero (Símbolo, 1976), Tempo de Luta – Reportagem de uma atuação parlamentar (Independente, 1981) e O Chão de Graciliano (Tempo d’Imagem, 2007), este com fotos de Tiago Santana. Lançou, no final de novembro de 2009, o livro O Menino Lula pela Editora Ediouro, reunindo histórias contadas pelo próprio protagonista sobre a infância de Luiz Inácio Lula da Silva, as lutas sindicais até a conquista da Presidência, com fotos do acervo pessoal da família. Em julho de 2012, fez uma compilação de 13 de seus melhores textos para a obra Tempo de Reportagem (Editora LeYa), em que conta os bastidores da produção de cada matéria escolhida. Além disso, lançou o livro As Duas Guerras de Vlado Herzog (Civilização Brasileira), contando como o jornalista foi vítima dos nazistas na Iugoslávia, nos anos 1940, e das forças de repressão da ditadura militar brasileira, que o mataram em 1975. Fonte: http://portaldosjornalistas.com.br