31/05/2016

Theo Dutra (1948 - 1973)

José Theodoreto Souto e Dutra, conhecido como Theo Dutra foi um jornalista e poeta brasileiro que escrevia para o jornal paulistano Folha de S. Paulo. A última matéria que ele publicou pouco antes de morrer tinha o título: “Paraná bate nas comportas a 100 km/h; nasce o lago”, no qual tratava sobre a barragem da Ilha Solteira, no interior paulista.

Theo Dutra nasceu em 1948, sendo filho de Evelyn Bloen Souto e Dutra e Renato Hoeppner Dutra. Nasceu e foi criado na cidade de São Paulo. Viveu com a família até os sete anos, quando passou a estudar no Colégio São Paulo, como aluno interno. Voltou ao convívio da família aos 12 anos, desta vez com o pai e com a madrasta, Erica Lehman Dutra, mas logo depois voltou a estudar em regime de semi-internato no Colégio São Luís, onde fez o curso ginasial, ficando até o fim do curso colegial (clássico). Tinha sempre o comportamento bom, sem malícias, apesar dos problemas familiares. Gostava das matérias de Português, História e Geografia.

Theo Dutra tinha grande vocação para o jornalismo e amava a cidade de São Paulo. Desde o curso ginasial, ele se dedicava às questões jurídicas. Em janeiro de 1967, começou a fazer curso de direito na Faculdade de Direito da USP, onde conheceu a Gildete de Souto e Dutra, com quem viriam a se casar anos mais tarde. Em julho de mesmo ano, passou a integrar o quadro de repórteres da Folha de S. Paulo. Theo fazia inúmeras reportagens, a maioria delas sobre a cidade de São Paulo, por isso ficou conhecido como “Repórter da Cidade”. Também se dedicava a poesia, escrevendo vários poemas e canções. Assim, iniciava a sua carreira como jornalista e poeta. Além disso, falava e escrevia correntemente o francês. Por seu talento e bondade, arranjou muitos amigos na escola e no trabalho, que foi seu exemplo de coleguismo.

No dia 4 de abril de 1970, quando Theo e Gildete cursavam o 4º ano do curso de direito, ambos casaram-se na capela do Colégio Nossa Senhora do Rosário. O Padre Luiz Gonzaga Dutra, que foi professor de Theo no Colégio São Luís, foi quem celebrou o seu casamento. Em 1971, Theo Dutra concluiu o curso de direito. Em 11 de junho de 1972, nasceu o seu filho, Renato Souto e Dutra.

Theo via sua carreira crescer e se consagrar. Tinha muita ambição na realização de suas matérias. Apesar de ser muito jovem, encarava sua profissão a sério, com muita responsabilidade e dedicação. Sempre encarou a vida através de seu lado bom e com entusiasmo, além de observar as coisas profundamente, pelo seu lado filosófico. Ocupava a chefia de reportagem nos finais de semana. Foi convidado e aceitou a fazer parte do corpo de redatores do Serviço de Imprensa do Governo do Estado de São Paulo (Sigesp). Viajou até o estado do Acre para fazer a cobertura do campus avançado da USP.

Foi até Garanhuns, no Pernambuco, onde fez a cobertura jornalística do I Encontro de Prefeitos de Capitais sobre Desenvolvimento Urbano, que ocorreu de 5 a 9 de fevereiro de 1973. Ele coordenou a mesa redonda desse encontro, onde participaram jornalistas e prefeitos de capitais brasileiras, como Figueiredo Ferraz, de São Paulo, e Jaime Lerner, de Curitiba. Uma das reportagens de Theo Dutra sobre o encontro foi: "Proposta de Ferraz sobre desenvolvimento urbano", de 9 de fevereiro de 1973, e "As sugestões do ministro do Interior aos prefeitos", de 10 de fevereiro de 1973.

Por sempre estar preocupado com a cidade de São Paulo, fazendo reportagens sobre ela, Theo Dutra tinha um sonho de fundar um "Clube de Repórteres da Cidade de São Paulo", no qual reuniria os repórteres da capital paulista. Ele batalhou muito para a fundação desse clube, e houve ajudas para isso, como a do GEGRAN (Grupo Executivo de Planejamento da Grande São Paulo), que realizou um encontro com o Theo, e ele deu um passo para a criação do clube, que foi criado, porém, Theo não esteve presente durante sua fundação.

Morte

Em 1 de abril de 1973, Theo Dutra foi até o interior paulista para fazer sua reportagem sobre a barragem da Ilha Solteira, comentando o fechamento das comportas do local, onde passa o Rio Paraná, para a construção na época da Usina Hidrelétrica de Ilha Solteira. Entrevistou trabalhadores, engenheiros e as famílias dos barreiros. Publicou sua reportagem no jornal Folha de S. Paulo, na qual virou manchete, com o título “Paraná bate nas comportas a 100 km/h; nasce o lago”, mas não chegou vê-la publicada, pois veio a publicação no dia de sua morte. Ele queria como sempre ser a primeira página, a manchete.

Pouco depois, à meia-noite e meia do dia 3 de abril de 1973, Theo Dutra viajava num carro com um fotógrafo e um motorista. Ele havia chagado de São José do Rio Preto, onde foi para fazer a publicação de sua reportagem, por telefone, para a redação do jornal. O carro viajava em direção à Ilha Solteira, onde Theo pretendia continuar a cobertura sobre a barragem. Ao fazer uma curva fechada na Rodovia Washington Luís, próxima à Pereira Barreto, o carro capotou várias vezes. Theo dormia no momento do acidente, no banco de trás do carro, e seu corpo foi lançado para fora do veículo quando capotou. O fotógrafo e o motorista do veículo saíram gravemente feridos. Mas naquela mesma hora, Theo Dutra não resistiu ao trágico acidente e morreu, tão jovem, aos 24 anos de idade.

No dia seguinte, 4 de abril, no qual seria o seu terceiro aniversário de casamento, Theo virou manchete de jornal, tratando de sua trágica morte. Em apenas seis anos de carreira, ele realizou inúmeros trabalhos importantes no jornalismo, sempre preocupado com as questões da cidade de São Paulo. Sua morte precoce chocou toda a imprensa, principalmente o jornalismo paulistano, pois perdeu um de seus maiores jornalistas, crítico da cidade de São Paulo. Chocou também parte do governo e da Câmara Municipal, que chegou a conhecer Theo, no qual foi um brilhante repórter. Muitas pessoas, como autoridades, jornalistas e parentes enviaram a Folha de S. Paulo mensagens de condolências, lamentando a morte brutal do jovem jornalista. Ele foi muito querido pelas pessoas, principalmente por aqueles que o conheceram, e considerado por muitos como um dos melhores jornalistas e repórteres da cidade de São Paulo, apesar de seu pouco tempo de carreira.

Theo Dutra, o “Repórter da Cidade”, foi velado no velório da Maternidade São Paulo e enterrado no Cemitério São Paulo, no respectivo jazigo da famíia. Milhares de pessoas participaram de seu enterro, como familiares, amigos, colegas de trabalho e autoridades públicas, como o então governador do Estado de São Paulo, Laudo Natel, e o então prefeito da capital paulista, Figueiredo Ferraz, que compareceu ao encontro de prefeitos em Garanhuns. O Padre Luiz Gonzaga Dutra, amigo de Theo desde o ginásio, também esteve em seu enterro e celebrou a sua missa de sétimo dia. Fonte: Wikipedia