15/06/2016

Cláudio Abramo (1923 — 1987)

Jornalista brasileiro responsável por mudanças no estilo, formatação e conteúdo dos dois maiores jornais paulistas, O Estado de S. Paulo (1952-1963) e a Folha de S. Paulo (1975-1976).

Se reivindicava trotskista e sempre fez questão de frisar que compreendia e trabalhava conforme a natureza do capitalismo. Admitia que deixara de fazer tudo para fazer só o jornal, num ritmo que o forçou a abrir mão até da militância política. Dirigiu a Folha Socialista, jornal do Partido Socialista Brasileiro.

Aos 22 anos foi um dos criadores do Jornal de São Paulo. Passou pelos Diários Associados, em 1948 tornou-se repórter d'O Estado de São Paulo. Em 1951 Abramo frequenta a a Escola de Altos Estudos Sociais e Políticos de Paris. Em 1953 foi secretario de redação de O Estado de São Paulo, sendo o jornalista mais jovem a conseguir essa posição. Em 1963 transfere-se para a Folha de São Paulo, agora como chefe de reportagem, tornando-se mais tarde membro do conselho editorial do jornal.

As reformas que implantou na Folha influenciaram os rumos do jornalismo brasileiro na década de 70. Nessa época foi perseguido pelo regime militar e chegou a ser preso. Em 1979 Abramo foi forçado a deixar a Folha, por intervenção direta do regime militar, para fundar o jornal República, com Mino Carta, tornando-se ainda correspondente internacional da Folha entre 1980 e 1984. Sua coluna nesse jornal foi das mais lidas e influentes sobre política.

Seu estilo, à maneira concisa e imparcial do jornalismo norte-americano, presente hoje na maioria dos grandes jornais brasileiros, substitui os textos longos e opinativos. Foi também professor de pós-graduação na Universidade de São Paulo. No ano seguinte à sua morte publicou-se A regra do jogo, livro que reúne artigos sobre política e um ensaio autobiográfico.

Cronologia

1948 - Convidado por Paulo Duarte e Sérgio Milliet para trabalhar no O Estado de S. Paulo. Sucessivamente repórter, repórter econômico, redator da seção Internacional. Começa no Estado escrevendo uma enorme reportagem sobre a situação da pesca (que serviria de apoio para a criação do Instituto Oceanográfico), fruto de um mês e meio de viagem pelo litoral. Escreve uma série de denúncia contra a política externa durante a guerra; faz campanha contra o jogo no Guarujá. Viaja intensamente pelo Brasil. 

1952 - A convite do dr. Júlio de Mesquita Filho, assume a secretaria do Estado e começa, com Luiz Vieira de Carvalho Mesquita, Ruy Mesquita, Juca Mesquita e Júlio de Mesquita Neto, a reforma do jornal (redução do tamanho da página, transferência de sede, adoção de práticas modernas de controle da publicidade, controle de fechamento da redação, controle da produção etc.). Data dessa época a abreviação do limite de fechamento da redação, que passou das três horas da manhã para a meia-noite. Começa a cooptação de universitários para o jornalismo, mandando buscar alunos que se destacaram nos cursos de filosofia, ciências sociais, matemática, física. Um deles é Vlado Herzog. A reforma se completa no início da década de 60. Nessa altura, alguns grandes nomes do jornalismo atual trabalhavam na Redação, como repórteres ou redatores. 

1964 - Passa quase o ano inteiro desempregado, por discriminação política. É convidado, nos últimos meses, para fazer análises da Folha de S. Paulo por Octávio Frias de Oliveira. No fim do ano, ou início de 1965, entra na Folha como chefe de produção. 

1967 - Assume a secretaria-geral da Folha. 

1972 - Nomeado diretor da Redação e afastado. 

1975 - Preso pelo Doi-Codi, com sua mulher, Radhá Abramo, por subversão. Em meados do ano, retoma o trabalho efetivo no jornal; cria-se a Página Três, com colaborações de intelectuais e jornalistas. 

1976 - Chamado de volta à direção efetiva da Redação, completa a grande reforma do jornal, iniciada discretamente em meados de 75, juntamente com Octávio Frias de Oliveira e Otavio Frias Filho. 

1977 - Afastado da direção da Redação por imposição do ministro do Exército, Sílvio Frota. 

1979 - Nomeado membro do Conselho Editorial da Folha. Demite-se do jornal durante a greve dos jornalistas. Trabalha, como co-diretor, no Jornal da República, de Mino Carta, que vive cinco meses e falece. 

1980 - Chamado de novo por Octávio Frias de Oliveira, vai para Londres como correspondente da Folha; em 1983 muda-se para Paris, na mesma condição. 

1984 -  Começa a escrever a coluna “São Paulo”, da Página Dois da Folha. Fonte: Wikipedia