24/06/2016

Folha de S.Paulo (1921)

Folha de S. Paulo é um jornal brasileiro editado na cidade de São Paulo e o segundo maior jornal de circulação do Brasil, segundo dados do Instituto Verificador de Circulação (IVC). A circulação média diária em 2010 foi de 294.498 exemplares. Ao lado de O Globo e O Estado de S. Paulo, a Folha de S. Paulo, que pertence ao Grupo Folha, é um dos jornais mais influentes do país.

Fundado em 19 de fevereiro de 1921 com o nome original de Folha da Noite por Olival Costa e Pedro Cunha. Em 1930 apoiou a eleição de Júlio Prestes à presidência da República, sendo por isto depredada e fechada (na época se dizia empastelada) em 24 de outubro de 1930, quando a Revolução de 1930 saiu vitoriosa. Nesta época, a Folha contava com o consagrado caricaturista Belmonte, o criador do Juca Pato, personagem que sempre criticava a Aliança Liberal de Getúlio Vargas.


A Folha voltou a funcionar em 1931 com novos donos e nova linha editorial, com o nome de Folha da Manhã e dirigida por Octaviano Alves de Lima, Diógenes de Lemos Azevedo, Guilherme de Almeida e Rubens do Amaral até 1945, voltada para o apoio da agricultura.

Em 1962, o jornal foi comprado por Carlos Caldeira Filho e Octavio Frias de Oliveira (cuja família ainda mantém o controle do jornal), que o rebatizaram para Folha de S.Paulo. A partir de então, cresceu rapidamente com a aquisição de diversos jornais menores, ajudando-os a diminuir os custos de distribuição.

Inicialmente, a Folha de São Paulo apoiou o golpe de 1964 e a ditadura militar implantada no Brasil até o governo do presidente general Ernesto Geisel. Em editorial publicado no dia 22 de setembro de 1971, o jornal definiu o regime ditatorial nos seguintes termos:

Um governo sério, responsável, respeitável e com indiscutível apoio popular, está levando o Brasil pelos seguros caminhos do desenvolvimento com justiça social – realidade que nenhum brasileiro lúcido pode negar, e que o mundo todo reconhece e proclama.  — Folha de S. Paulo.

No início da década de 1970, essa postura provocou uma série de atentados contra veículos de entrega de jornais da Folha de S. Paulo, que eram incendiados por grupos de esquerda que faziam resistência à ditadura militar. Segundo Elio Gaspari, hoje colunista da Folha, carros da empresa eram emprestados ao DOI, que os usava como cobertura para transportar presos na busca de "pontos".

Entretando, a partir de meados da década de 1970, a Folha passou a defender o retorno da democracia, dando oportunidade de manifestação tanto aos líderes militares quanto aos políticos de oposição. A ascensão de uma redação renovada e engajada, ainda sob o comando de Octavio Frias de Oliveira, e com a presença de nomes consagrados como os de Alberto Dines, Cláudio Abramo, Bóris Casoy, Clóvis Rossi e Jânio de Freitas mudou a linha editorial do jornal, sendo o primeiro jornal brasileiro a encampar a luta por eleições diretas e cobrindo o movimento das Diretas Já.

O jornal foi pioneiro no Brasil na instalação de computadores e informatização da redação, entre 1982 e 1983. Em 1989 a Folha tornou-se o primeiro jornal latino-americano a contratar um ombudsman,[9] uma espécie de ouvidor que anotava as críticas e opiniões dos leitores e tinha e ainda tem a independência de criticar matérias e reportagens do jornal com imparcialidade, sem represálias. O formato provocou muitos conflitos entre o então ombudsman Caio Túlio Costa e o articulista Paulo Francis, expostos numa série de artigos, que acabou se mudando para concorrente O Estado de S. Paulo.

Ainda na década de 1980, a Folha também foi pioneira na adoção de infográficos e quadros que explicam, de maneira didática, os detalhes das principais notícias e o contexto das mesmas.

No início da década de 1990, a Folha começou a investir na criação de novos produtos e suplementos dentro do jornal, como a Revista da Folha, o caderno Folhateen e a TV Folha. Tendo como aliada uma grande campanha publicitária, em que o próprio diretor de redação Matinas Suzuki Jr aparecia na TV anunciando as novidades do jornal, a Folha passou a liderar as vendas em São Paulo, superando O Estado de S. Paulo. A reforma gráfica em meados da década de 90 e o lançamento de brindes, dicionários e fascículos, como o Atlas da Folha, reforçaram a liderança na época. Em março de 1995 alcançou a marca de 1,5 milhão de exemplares vendidos em um único dia, entre vendas avulsas e assinantes. Em outubro de 1996, a venda avulsa de uma edição dominical da Folha chegava a 489 mil exemplares.

Porém, pouco mais de uma década depois, dados do Instituto Verificador de Circulação (IVC) mostram que a Folha fechou o primeiro trimestre de 2009 com média diária de 298.351, enquanto que no começo de 2000, essa média era de 429.476. Houve também queda nas vendas avulsas. O jornal vendeu em média 21.849 exemplares em todo o território nacional entre janeiro e setembro de 2009, sendo hoje o vigésimo quarto jornal em vendas avulsas, atrás dos concorrentes O Globo (15º) e Estado de São Paulo (19º).

Em 2008, todavia, segundo levantamento do IVC, o jornal ainda mantinha a liderança de circulação (somando-se vendas avulsas e assinantes) dentre os jornais pagos, atingindo a média de 311.287 exemplares por dia. Manteve a liderança também em 2009, ainda que a média de circulação tenha caído para 295 mil exemplares.

Em julho de 2011 o jornal começou a publicar na internet edições da Folha Online em espanhol e inglês.

Escândalo do mensalão - Em 6 de junho de 2005, a Folha de S. Paulo publica uma entrevista do deputado federal Roberto Jefferson a Renata Lo Prete, editora do Painel da Folha, com uma denúncia de pagamentos mensais de 30 mil reais realizados pelo tesoureiro do PT, Delúbio Soares, a alguns deputados da base aliada, com o objetivo de aprovar emendas favoráveis ao governo. A partir daí, o caso desdobrou-se em inúmeras acusações e investigações sobre o que a imprensa passou a denominar "escândalo do mensalão", resultando na instauração de uma CPI, cassação e renúncia de diversos parlamentares, afastamentos de diversos ministros e funcionários de altos escalões do poder executivo e do PT, culminando em um inquérito convertido em ação penal no Supremo Tribunal Federal contra 39 réus supostamente envolvidas no esquema, sob a relatoria do ministro Joaquim Barbosa. A entrevista de 6 de junho publicada pela Folha também marcou a primeira aparição do termo "mensalão" na mídia. Lo Prete foi agraciada com o Prêmio Esso de Jornalismo 2005, em reconhecimento ao seu trabalho e à repercussão da entrevista publicada pela Folha.

Controvérsias

Condenações na justiça
Em agosto de 2008, o jornal foi condenado a indenizar em 250 mil reais um advogado, por tê-lo retratado em uma fotografia que ilustrava a matéria "Bairro de São Paulo atrai vizinhança homossexual", em insinuação de se tratar de público gay. A imagem foi publicada no caderno Cotidiano e fazia referência aos gays “de armário” que agendavam encontros noturnos pela internet. Segundo a defesa, a foto foi tirada furtivamente, em um momento em que o advogado abraçava um amigo. O fotógrafo teria eliminado do enquadramento as respectivas esposas, que se encontravam no local.

Em março de 2010, a jornalista Eliane Cantanhêde e a Folha de S. Paulo foram condenados a pagar 35 mil reais ao juiz Luiz Roberto Ayub a título de indenização por danos morais. A ação se iniciou em 2008, após a publicação do artigo "O lado podre da hipocrisia", em que Cantanhêde, reproduzindo uma afirmação que atribuiu à então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff ("o governo não vai se submeter à decisão de um juiz de quinta", sobre o desempenho de Ayoub no caso Varig), concluiu que "já que a lei não vale nada e o juiz é 'de quinta', dá-se um jeito na lei e no juiz" e afirmou que "o juiz Luiz Roberto Ayoub aproximou-se do governo e parou de contrariar o presidente, o compadre do presidente e a ministra. Abandonou o 'falso moralismo' e passou a contrariar a lei.". Ayoub entendeu a afirmação como uma imputação de prevaricação e parcialidade. O juiz André Pinto rejeitou os argumentos da defesa, proferindo em sentença que "não se trata de mera opinião proferida com base na liberdade de expressão, como pretendem fazer crer as rés, mas de grave acusação contra o magistrado, onde lhe é imputado a prática de ato ilícito e de cunho extremamente lesivo à personalidade".

Em abril de 2010, o jornal foi condenado a pagar indenização de 50 mil reais ao blogueiro Luis Favre, ex-marido de Marta Suplicy. A Folha havia publicado, em 2001, uma peça publicitária de conteúdo considerado ofensivo, de autoria do jornalista Claudio Humberto, em que Favre era definido como uma "espécie de 171 da esquerda, é um trotskista com insuperável confusão mental e professor de Deus, tipo ‘sabe-tudo’. Com a lábia de um vendedor de enciclopédia e insinuante como um dançarino de tango, ele é tudo o que o bom senador Suplicy não é: um ‘cachorrão´". A turma julgadora entendeu que o jornal extrapolou seu direito informar ao noticiar fatos indecorosos à reputação de Favre.

Em junho de 2010, o jornal foi condenado a pagar indenização de 18 mil reais a uma mulher citada em um artigo do jornalista Élio Gaspari, publicado em março de 2008, como participante de um atentado a bomba contra o consulado dos Estados Unidos em São Paulo, ocorrido em março de 1968. Segundo o processo, dois dias depois de publicar a matéria, o jornal voltou a repetir a informação. Embora pertencesse efetivamente ao grupo denominado Vanguarda Popular Revolucionária, a mulher acusada encontrava-se fora do país na época do incidente. Em sua defesa, a Folha argumentou ter exercido o "direito de informar e criticar", mas, no entendimento do juiz Fausto José Martins Seabra, o jornal "abusou de seu direito de informar, atingindo a honra e a imagem da requerente ao lhe atribuir a prática de um crime".


"Ditabranda" - Protesto contra o uso da palavra "ditabranda" na sede do Grupo Folha. No banner, uma referência à famosa foto de Vladimir Herzog morto após uma sessão de tortura, se lê: "A ditadura militar no Brasil, segundo a Folha de S. Paulo".

Em 17 de fevereiro de 2009, num editorial criticando o governo de Hugo Chávez na Venezuela, o jornal se referiu à ditadura militar brasileira como uma "ditabranda". Como a Folha de S. Paulo é o jornal de maior circulação do país, as reações ao uso do neologismo foram quase imediatas. Entre os primeiros a condenarem a utilização do termo estavam os leitores do próprio jornal e os professores da Universidade de São Paulo Maria Victória Benevides e Fábio Konder Comparato. O jornal respondeu que "respeita a opinião de leitores que discordam da qualificação aplicada em editorial ao regime militar brasileiro". Apesar disso, tentou desqualificar as cartas enviadas por Benevides e Comparato, pois eles alegadamente "até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba". De acordo com a Folha de S. Paulo, a indignação deles era "cínica e mentirosa".

A utilização do termo "ditabranda" rendeu ao jornal críticas em fóruns de discussão na internet e em outros veículos de mídia, principalmente os que possuem tendências esquerdistas, tais como as revistas Fórum, Caros Amigos (que publicou matéria de capa sobre a utilização do termo), e Carta Capital. Nenhuma dessas críticas, entretanto, teve tanta visibilidade quanto uma reportagem intitulada "O escândalo da ditabranda" exibida pela Rede Record no Domingo Espetacular. A reportagem exibiu provas de que o Grupo Folha mantinha ligações com os órgãos de repressão da ditadura, conforme já havia denunciado Gaspari em seu livro. A Folha de S. Paulo rechaçou as acusações e denunciou a ligação entre a Igreja Universal do Reino de Deus, o que fez com que a Record exibisse a reportagem de novo no Jornal da Record e a colocasse em seu canal oficial no YouTube.

Ficha policial de Dilma Rousseff - Em 5 de abril de 2009, menos de dois meses após o escândalo da "ditabranda", a Folha de S. Paulo publicou, ao lado de uma reportagem que tratava do suposto plano da VAR-Palmares para sequestrar o então ministro da economia Antonio Delfim Netto, uma ficha falsa policial de Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores, atual Presidenta da República. O jornal mais tarde afirmou que a "autenticidade de ficha de Dilma não é provada". A ficha policial, supostamente recebida por e-mail, pode ser encontrada no site do grupo Ternuma e não existe no Arquivo Público do Estado de São Paulo, onde estão guardados os documentos do antigo Departamento de Ordem Política e Social.

Eleições 2010 - Em setembro de 2010, a ombusdman de Folha de S. Paulo, Suzana Singer, criticou duramente o periódico. Segundo ela, o jornal estaria “se dedicando a revirar vida e obra” da candidata à presidência Dilma Roussef do PT e noticiando estas informações de forma parcial. Comentou ainda a reação de leitores no Twitter, na qual a hashtag #DilmaFactsByFolha - uma série de piadas e críticas à Folha de usuários da rede social - chegou ao primeiro lugar dentre os temas mais comentados.

O portal Brasil de Fato realizou um levantamento sobre o comportamento dos três jornais de maior circulação no Brasil ante a campanha de Dilma Rousseff O estudo foi feito a partir das manchetes de primeira página publicadas em 30 dias que antecederam a votação de primeiro turno, (entre os dias 28 de agosto e 27 de setembro). Segundo os dados do estudo, a Folha de S. Paulo e também os jornais O Globo e O Estado de S. Paulo deram ênfase a temas negativos para a cadidatura de Dilma.

Do total de 30 manchetes de capa, concluiu-se que a Folha veiculou apenas duas positivas à campanha petista ("Lula vai à TV e afirma que Serra partiu para baixaria", no dia 8, e "Desemprego é o menor, e renda é a maior em 8 anos", no dia 24). No entanto, o jornal paulista destacou um total de dezoito manchetes desfavoráveis. Também houve uma manchete classificada como neutra e nove sobre temas diversos.

Em 30 de setembro de 2010, uma liminar do juiz da 29ª Vara Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo retirou do ar o site Falha de S. Paulo.  Blogueiros da "mídia independente" e os autores do site, classificaram a liminar como uma forma de censura. A Falha satirizava a Folha de S. Paulo por julgar tendencioso o conteúdo de suas notícias, favorecendo a candidatura de José Serra e se opondo indiscriminadamente ao governo Lula. Também acusava o jornal de manter uma falsa imparcialidade. Por sua vez, a Folha afirma que apenas se defende do uso indevido da sua marca, pois acredita que a semelhança dos nomes "Folha" e "Falha" causariam "explícita e intencional confusão" ao leitor do blog. O Juiz do processo declarou que sua decisão se deu "não pela sátira, que não é vedada, mas pelo fato da utilização de marca extremamente semelhante ao da autora [Folha]", concordando com o jornal. Fonte: Wikipedia