09/06/2016

Léo Batista (1932)

João Batista Belinaso Neto, mais conhecido como Léo Batista, é um jornalista, dublador e locutor brasileiro que comanda quadros esportivos na Rede Globo além de apresentar algumas edições do programa Globo Esporte. É considerado o mais antigo apresentador em atividade na televisão brasileira. Léo é uns dos jornalistas que trasmitiram o primeiro jogo de Garrincha no futebol.

Léo Batista nasceu em Cordeirópolis, uma cidade no interior de São Paulo, e começou a trabalhar na adolescência, no serviço de alto-falantes da cidade, onde nasceu em 22 de julho de 1932, e estreou como redator na Rádio Globo, no Rio de Janeiro, para onde mudou-se no início da década de 1950. Mais tarde transferiu-se para a extinta TV Rio, onde durante 13 anos comandou o “Telejornal Pirelli”, à época um dos mais prestigiados do País.

Em 1970, ingressou na Rede Globo, onde está há mais de 40 anos e só não é mais antigo que o colega Cid Moreira. Na emissora, Léo inaugurou o Jornal Hoje, participou do Globo Rural, narrou os gols da rodada no Fantástico, e tem microfone cativo no Globo Esporte e no Esporte Espetacular.

O pseudônimo "Léo" veio do nome de sua irmã, Leonilda - "ela que tem horror ao nome dela, Leonilda, e que a gente só chama de Nilda. Peguei o “Leo” dela, deixei de lado o João Bellinaso Neto, e virei Léo Batista" - afirma Léo.



Televisão

Léo, carinhosamente chamado, sempre gostou do veículo. Em 1947, estreou ao microfone a convite de um primo, Antonio Beraldo, carinhosamente conhecido como Toninho, que inaugurou em Cordeirópolis um serviço de alto-falantes, muito comum nas cidades pequenas. O estúdio ficava numa praça perto do prédio da pensão, onde o pai tinha o negócio próprio. Léo foi o último a fazer o teste. Leu um anúncio, anunciou uma música e, quando viu, estava transmitindo as notícias. O primo gostou e disse que seria o seu locutor. Léo considerou que ele estava maluco só de pensar em apresentar essa idéia ao pai, um italiano "queixo-duro", que já estava contrariado por haver deixado a escola para ser garçom.

O pai

A reação do pai, Senhor Antonio Francesco Belinaso, era a que se esperava. Principalmente porque naquela época gente de rádio, artista, músico, compositor e cantor eram todos malvistos, por causa da vida boêmia. A sociedade tinha deles o pior conceito possível. Mas o Beraldo disse ao pai as palavras mágicas: “Seu Antônio, ele vai trabalhar, mas não é de graça. Vou dar 200 mil réis só para começar. E, se ele conseguir algum anúncio, ainda ganha uma comissão.” Sem dinheiro, meu pai na hora mudou o discurso: “Ah, ele vai ganhar um dinheirinho? Aí está bem, mas tem que ser depois do horário do trabalho na pensão.”

A carreira profissional se inicia

Uns seis meses depois da experiência com o primo Beraldo, Léo recebeu convite do senhor Domingos Lote Neto. Ele gostou da voz e insistiu em levar para fazer um teste na recém-inaugurada Rádio Clube de Birigui, “a pérola do Noroeste” e assim fez. Léo foi contratado. Lá, transmitiu futebol, parada de 7 de Setembro e programas de auditório como o “Clube da Alegria”, em que teve o privilégio de apresentar a Hebe Camargo na festa do primeiro aniversário da emissora.

Em Piracicaba (SP) foi para a Rádio Difusora de Piracicaba. Na época, o XV de Novembro, time local, tinha subido para a primeira divisão do Paulistão e buscava um locutor esportivo. Léo passou a acompanhar e narrar os jogos do antigo campo da Rua Regente (ainda não existia o estádio Barão da Serra Negra). Depois, para o Pacaembu, a Vila Belmiro... o próprio Léo revela em suas entrevistas: "eu era atrevido. Vim até para o Rio transmitir a Copa de 50"

Depois da Copa de 50

Depois participou de todas as Copas. Ao vivo ou na retaguarda, atuou também em Olimpíadas, Jogos Pan-Americanos... "Não perdi mais nada" - afirma Léo. Em 1955 trocou de emprego e se mudou para a hoje extinta TV Rio, onde comandaria por 13 anos o Telejornal Pirelli, um dos noticiários de maior sucesso na televisão. Chegou à Globo em 1970 e logo se destacou devido ao seu estilo descontraído. Ele foi um dos que transmitiu o primeiro jogo da carreira de Mané Garrincha, em 1953. Léo Batista é o apresentador mais antigo em atividade na Globo e foi um dos criadores, em 1978, do programa Globo Esporte, no ar até hoje. Nas décadas de 1980 e 1990 chegou a apresentar um bloco esportivo no Jornal Nacional, aos sábados. Seu rosto pode ser visto nas edições de sábado do Globo Esporte e sua voz as quartas feiras, nos intervalos dos jogos brasileiros.

Aposentadoria

Em entrevistas Léo sempre comenta: "se arranjarem uma metralhadora, com bala de verdade mesmo, que não falhe, para me dar uma rajada, de repente eu paro de trabalhar. Mas, se não for assim, não paro, não. Estou com 75 anos de idade, completei 60 de profissão — e não encontro nem o termo apropriado para descrever o que sinto por ela." E continua: "outro dia fiquei imaginando a hora em que eu não puder mais entrar na emissora e falar com os amigos. Evito pensar nisso. Desejo continuar fazendo o meu trabalho. A não ser que achem que fiquei velho demais, que já estou gagá. (risos) Enquanto Deus me der voz e saúde e a TV Globo quiser, eu continuo."

Curiosidades

Léo Batista tem uma reconhecida carreira no jornalismo esportivo, mas também narrou as aventuras dos Heróis Marvel, nos anos 60, quando a TV Globo transmitia os desenhos animados.

O botafoguense Léo Batista narrou o primeiro jogo de Mané Garrincha no time da estrela solitária. Na hora da transmissão, entretanto, ficou na dúvida sobre o nome correto do futuro craque e desceu aos vestiários para esclarecer a dúvida. - “Rapaz, como é o seu nome? É Gualicho ou Garrincha?”, indagou o narrador. - “Pergunta pro Seu Santos”, respondeu o camisa 7 do Botafogo, em referência ao jogador Nilton Santos, que confirmou o apelido Garrincha.

Léo Batista foi o primeiro a dar o furo da morte de Getúlio Vargas, em 24 de agosto de 1954. Há quem diga que, na realidade, a notícia foi dada em primeira mão pelo Repórter Esso, da rádio Nacional. Esta equívoco, segundo o aniversariante, acontece por conta do alcance muito maior que a rádio Nacional tinha em relação à rádio Globo. Certa vez, a equipe da TV Rio foi proibida de entrar no estádio do São Cristóvão para transmitir um jogo. A solução foi alojar todos em um telhado vizinho, onde podiam acompanhar a partida. O concreto, entretanto, não aguentou e cedeu, jogando toda a equipe no chão. Por sorte, ninguém se feriu.

Quando foi pedir emprego à rádio Globo, encontrou o veterano narrador Raul Brunini. Depois de se apresentar, recebeu um “elogio” por sua narração da partida entre XV de Piracicaba e Palmeiras: ”Cara, você torce demais pro XV, mas é muito bom!”.