27/07/2016

George Mead (1863 - 1931)

George Herbert Mead foi um filósofo pertencente à Escola de Chicago que fez parte das correntes teóricas denominadas de pragmatismo e interacionismo simbólico.

Opôs-se ao reducionismo proposto pelos behaviorismo de Watson, posteriormente reapresentado por B. F. Skiner.

Considerava importante as pesquisas sobre a linguagem no comportamento para conseguir o entendimento do que é a mente, pois ela seria um produto da própria linguagem.

Para Mead, ao longo de seu processo de socialização, o indivíduo aprende a interagir socialmente a partir de três etapas básicas:
  • Brincadeira - a espontaneidade é dominante e não se tem regras fixas. 
  • Jogo - as regras da interação definem claramente quem é quem e que papéis se devem cumprir. 
  • Outro Generalizado - o indivíduo tem acesso a todos os papéis de sua comunidade, sendo capaz de ver-se neles, compreendendo o comportamento dos outros e a eles respondendo, adequadamente, durante o curso da interação à vida social.

"The Self"


É por meio da comunicação que o indivíduo se comunica com outros, mas também comunica-se consigo mesmo, e introduz o self. Para Mead, o Self deveria ser compreendido tanto filogenéticamente, resultado da evolução das espécies, como ontogenéticamente em termos do desenvolvimento de cada membro individual.

A individualização seria o resultado da socialização não sua antítese.

Mead tenta compreender como ocorre a construção da identidade social. Para ele só poderá existir o senso do Eu (self) se existir um senso correspondente a um Nós. Ou seja, são as relações sociais e o papel que desempenhamos na sociedade que constituiriam a pessoa.

Para Mead, o "Eu" nasce na conduta, quando o indivíduo se torna um objeto social por sua própria experiência. A criança age para consigo como age para com os outros. Para o indivíduo, o Eu é uma terceira pessoa e sua expressão na conduta para com outros é um papel a ser representado. Age-se conforme se espera dessa ação ou melhor como se imagina que é a expectativa de nossa ação.

A formação da mente aconteceria quando o indivíduo consegue tomar a si mesmo como objeto de reflexão. Este processo, que ele denomina comunicação triádica, se dá pela interação reflexiva entre três instâncias simultaneamente subjetivas e objetivas: o "Eu", o "Mim" (que constituem o "self") e o "outro generalizado". Neste sistema, o outro generalizado corresponde a reflexividade estabelecida entre o indivíduo e a sociedade à qual pertence.

Sociedade seria o mecanismo que nos permite viver com o outro, representado pelas instituições (pelos costumes). As instituições seriam determinadas estabilizações de atos sociais.

Os indivíduos estão presentes no mundo social correlacionados aos seus grupos de convivência, os subgrupos que ele faz parte. Eles estão inseridos nesses subgrupos, e a uma sociedade maior, global. Esses subgrupos podem ser de duas espécies: concretos ou abstratos.
  • Subgrupos Concretos - podem ser a comunidade, as classes sociais, os partidos políticos, as corporações, ou seja, grupos em que se relaciona diretamente com os demais.
  • Subgrupos Abstratos - por sua vez, são categorias como credor e devedor, ou por meio de trocas rotineiras, mas sem estar ligado a uma unidade social. As relações são indiretas, e não se perpetuam por muito tempo como nos subgrupos concretos. Contudo, essas relações abrem espaço para que haja relações mais duradouras.
O self não é natural aos homens (não existe desde o nascimento), mas se desenvolve no processo social por meio da atividade com os outros indivíduos.

Processo de desenvolvimento do self – em duas fases:
  1. Fase de organização das atitudes particulares - desenvolve apenas uma relação do indivíduo com outros indivíduos;
  2. Formação completa do self - indivíduo organiza suas atitudes dentro do grupo social ou do “outro-generalizado” que ele pertence. Essas atitudes ocorrem por meio da experiência direta com outros indivíduos e compreendem a constituição da estrutura ou do self completo. A diferença fundamental da 1ª para a 2ª fase, é que o indivíduo compreende o modelo sistemático geral dos grupos que ele está comprometido com outros indivíduos.
Portanto, o self é a estrutura em que o indivíduo está inserido; os processos sociais que ele fez parte, o outro-generalizado, os grupos sociais, ou seja, a unidade do processo social como um todo – esse é o self. A sua constituição se dá por meio da comunicação com as pessoas no presente, por meio da comunicação. Contudo, os “selves” anteriormente constituídos por pessoas que viveram anteriormente a nós, também ajudam a constituir o self dos indivíduos atualmente; sendo, porém, modificável.

O self não deve ser confundido com a mente, ou os hábitos pessoais; o self pode até influenciar na mente, mas o self diz respeito ao comportamento social, do indivíduo dentro do seu grupo e entre os grupos.

Para mostrar como o self é formado no indivíduo, Mead utiliza-se dos exemplos do jogo livre e do jogo regulamentado.
  • Jogo Livre (brincadeira) - A criança experimenta diferentes papéis com que elas têm maior contato, como o professor ou os pais; ou ainda por meio de situações e personagens invisíveis. Dessa forma ela organiza o seu pensamento, coloca-se no lugar de outros.
  • Jogo Regulamentado - Possui a organização de indivíduos distribuídos em grupos com a lógica do self. A criança interage com outras, tendo definidas metas, ações, unidades e organização, diferentemente do jogo livre, que está baseado numa mera sucessão de papéis. Assim, o jogo regulamentado é mais próximo à vida em sociedade, pois a criança tem que ter como referência o comportamento de outros indivíduos que orientem a sua ação. No jogo ela desempenha uma função que ela própria estimula.


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...