25/07/2016

Rede Globo (1965)


Rede Globo é uma rede de televisão brasileira, fundada em 26 de abril de 1965, na cidade do Rio de Janeiro, pelo jornalista Roberto Marinho. É assistida por 150 milhões de pessoas diariamente, seja elas no Brasil ou no Exterior por meio da TV Globo Internacional. A emissora é a quarta maior rede de TV comercial do mundo em audiência e um dos maiores produtores de telenovelas no planeta, sendo parte do grupo empresarial Organizações Globo. A emissora atinge 98,44% do território brasileiro, cobrindo 5.482 municípios e cerca de 99,50% da população. 

A sede administrativa da Rede Globo encontra-se no bairro do Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio de Janeiro. O departamento de jornalismo também está situado no Jardim Botânico, e os principais estúdios de produção localizam-se no complexo conhecido como Projac, em Jacarepaguá, na Zona Oeste da cidade. A Rede Globo tem estúdios de produção em Vila Cordeiro, bairro de São Paulo, onde também encontram-se o departamento de jornalismo e de onde gera parte da programação da rede. São, ao todo, 122 emissoras próprias ou afiliadas, além da transmissão no exterior pela TV Globo Internacional e de serviço mediante assinatura no país.

Em julho de 1957, o Presidente da República, Juscelino Kubitschek, aprovou a concessão de TV para a Rádio Globo e, em 30 de dezembro do mesmo ano, o Conselho Nacional de Telecomunicações publicou um decreto concedendo o canal 4 do Rio de Janeiro à TV Globo Ltda. A TV Globo foi oficialmente criada no dia 26 de abril de 1965, com  o telejornal Tele Globo, embrião do atual Jornal Nacional.

 

O acordo com a Time-Life

Em 1962, um acordo assinado entre Time-Life e as Organizações Globo, holding de Roberto Marinho, proporcionou a Marinho o acesso a um capital em torno de 6 milhões de dólares, o que lhe garantiu recursos para comprar equipamentos e infraestrutura para a Globo. Em troca, Time-Life teria participação em 30 % de todos os lucros auferidos pelo funcionamento da TV Globo. Como comparação, a maior TV brasileira na época, a TV Tupi, tinha sido construída com um capital em torno de US$ 300.000.

O acordo foi considerado ilegal, pois a Constituição Brasileira naquela época proibia qualquer pessoa ou empresa estrangeira de possuir participação em uma empresa brasileira de comunicação. O acordo foi investigado por uma CPI em 1967. Como uma tentativa de legalizar o acordo, mencionava-se claramente nos termos deste acordo que a Time-Life ou Time Inc. não tinha o direito de participar ou de interferir na administração da Globo. Na prática, Time-Life possuía grande influência dentro da Globo: Joseph Wallach, o ex-diretor da Time-Life na Califórnia, se tornou um diretor executivo dentro da Globo

Em 1966, a TV Globo chegou ao estado de São Paulo com a aquisição do canal 5 que, desde 1952, funcionava como a TV Paulista, de propriedade das Organizações Victor Costa. Em 5 de fevereiro de 1968, foi inaugurada a terceira emissora, em Belo Horizonte, e as retransmissoras de Juiz de Fora e de Conselheiro Lafaiete, além de um link de micro-ondas que ligava o Rio de Janeiro a São Paulo.

Em 1968, Roberto Marinho adquiriu a geradora de Minas Gerais, a TV Globo Minas. As primeiras emissoras afiliadas à Rede Globo foram a TV Triângulo (Rede Integração de Uberlândia), a TV Gaúcha (RBS TV Porto Alegre), no ano de 1967, a TV Anhanguera (Rede Anhanguera), em 1968 e a TV Guajará, em 1969. Também em 1969 no Ceará começou a entrar em testes a TV Verdes Mares, que foi inaugurada no dia 31 de janeiro de 1970 em Fortaleza. A TV Verdes Mares começou a sua transmissão no canal 10, onde se mantém até hoje, no sistema analógico, e no canal 33 da televisão digital. 


Apoio ao Regime Militar (1964–1985) - Em 1984, Roberto Marinho, dono da Rede Globo, escreve em seu jornal: "Participamos da Revolução de 1964, identificados com os anseios nacionais de preservação das instituições democráticas, ameaçadas pela radicalização ideológica, greves, desordem social e corrupção generalizada. Quando a nossa redação foi invadida por tropas anti-revolucionárias, mantivemo-nos firmes em nossa posição. Prosseguimos apoiando o movimento vitorioso desde os primeiros momentos de correção de rumos até o atual processo de abertura, que se deverá consolidar com a posse do novo presidente."

Diretas Já! - No dia 25 de janeiro, foi ao ar, pela primeira vez em rede, aquele que é considerado o primeiro grande comício das Diretas Já, realizado na praça da Sé, em São Paulo. Naquele dia, o telejornal exibiu reportagem de dois minutos e 17 segundos sobre o tema. No entanto, ocorreu um equívoco durante a escalada do Jornal Nacional, 25 de janeiro é também o dia do aniversário da Cidade de São Paulo, e por conta de um suposto erro técnico, o apresentador do Jornal Nacional acabou anunciando as comemorações dos 430 anos da Cidade de São Paulo, ao invés de Diretas Já, a emissora recebeu críticas que diziam que não havia sido uma falha técnica, mas sim uma manipulação de dados.

Eleições de 1989 - A emissora é acusada de ter ajudado a eleger o candidato Fernando Collor de Mello nas eleições de 1989, através da manipulação de trechos do último debate de Collor contra Lula. Foram feitas duas reportagens sobre o debate do dia 14 de dezembro de 1989.Uma delas foi no Jornal Hoje e outra foi no Jornal Nacional, sendo essa a mais polêmica.A primeira reportagem foi criticada por que ela mostrou um grande equilíbrio e a segunda reportagem por favorecer Fernando Collor. O PT moveu uma ação no Supremo Tribunal Federal contra a Globo.O PT queria que novos trechos do debate fossem colocadas como direito de resposta, mas o pedido foi negado.

Caso NEC -  Em dezembro de 1986, depois que o então ministro das Comunicações, Antônio Carlos Magalhães, ter ajudado a Rede Globo pela empresa NEC, a Rede Globo deu em troca do acordo bem-sucedido, tornar-se afiliada pela Globo, o que ocorreu em janeiro de 1987, um mês depois do acordo. O acordo finalizado foi noticiado na época pela imprensa brasileira (até a própria Globo e a Bahia) inicialmente como legal.

Porém, quando a TV Bahia deixou inesperadamente a Rede Manchete pela Globo em janeiro de 1987 (o que gerou processo dos proprietários da TV Aratu contra os da TV Bahia, mas que terminou três dias depois, com que Bahia ficasse com a Globo e a Aratu com a Manchete), gerou polêmica na Bahia e o acordo NEC-Rede Globo ficou sob suspeita. As suspeitas desse acordo só vieram a tona com as primeiras denúncias de corrupção do Governo Collor em 1992, noticiado pela imprensa baiana (não ligada à família Magalhães) e a brasileira.

Direito de resposta de Leonel Brizola - Em 15 de março de 1994, a Rede Globo colocou no ar durante o Jornal Nacional o direito de resposta obtido pelo então governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola, após dois anos de disputa judicial. Brizola havia entrado na Justiça contra a Globo em 1992, depois que o Jornal Nacional de 6 de fevereiro daquele ano divulgou trechos do editorial que seria publicado no dia seguinte pelo jornal O Globo, intitulado "Para entender a fúria de Brizola". O governador do Rio, que queria impedir a emissora de transmitir o desfile carioca das escolas de samba daquele ano era acusado pelo editorial de O Globo de sofrer "declínio da saúde mental" e de "deprimente inaptidão administrativa". Na resposta que foi ao ar, lida pelo locutor Cid Moreira, Brizola dizia não reconhecer na Globo "autoridade em matéria de liberdade de imprensa" e que a emissora teve "longa e cordial convivência com os regimes autoritários e com a ditadura de 20 anos que dominou nosso país". Brizola dizia ter sido "apontado como alguém de mente senil". Na sequência, argumentava: "Ora, tenho 70 anos, 16 a menos que meu difamador, que tem 86 anos. Se é este o conceito que tem sobre os homens de cabelos brancos, que os use para si".

Eleições de 2006 - Houve várias críticas à forma como a Globo fez cobertura das eleições, principalmente quanto a uma atenção exagerada a indícios negativos em relação ao PT, fato que levou a emissora a fazer, internamente, um frustrado abaixo-assinado para tentar defender-se das críticas e de reportagem da revista CartaCapital. Mais tarde, Rodrigo Vianna, ex-jornalista da emissora, divulga carta aberta em que critica várias das posturas da emissora, dando sua visão de como os processos se davam internamente e criticando o abaixo-assinado interno da emissora.

Eleições 2010 - Jingle de aniversário Em 18 de abril de 2010, a emissora lança no Fantástico uma campanha de comemoração pelos seus 45 anos da rede, que aconteceu em 26 de abril desse ano. O logotipo da emissora aparece ao lado o número quarenta e cinco, incluindo frases de atores da emissora, falando frases do jingle como "todos queremos mais". Em determinado trecho da peça, os atores falam: "Todos queremos mais. Educação, saúde e, claro, amor e paz. Brasil? Muito mais". Segundo o Deputado Federal do Paraná e secretário de Comunicação do Partido dos Trabalhadores, André Luís Vargas Ilário, o jingle embutiria, de forma disfarçada, propaganda favorável à José Serra, candidato a presidente pelo PSDB, concorrente do PT. Na mensagem, embutida no "45", o número do PSDB, e em frases do jingle como "todos queremos mais", o que de acordo com os petistas, seria uma referência ao slogan "o Brasil pode mais" dito por Serra no lançamento de sua pré-candidatura.

Logo no primeiro dia de veiculação do institucional dos 45 anos, a TV Globo tirou do ar a campanha. A emissora afirma que o filme foi criado em novembro de 2009, quando "não existiam nem candidaturas muito menos slogans, mas a Rede Globo não pretende dar pretexto para ser acusada de ser tendenciosa e está suspendendo a veiculação do filme."

O colunista Luís Nassif, no entanto, contestou a justificativa da emissora, afirmando que a campanha teria sido gravada em 14 de abril, três dias depois que Serra lançou a pré-candidaura, apontando para isso notícias do próprio portal da Globo.com.

Agressão a José Serra - Uma reportagem apresentada pela Globo contava que Serra havia sido agredido com um rolo de fita por militantes petistas em um ato da campanha, passado mal e dirigido-se a um hospital onde foi examinado e cancelou os demais compromissos do dia por ordem médica. Entretanto, o SBT mostrou que José Serra havia sido atingido por uma bolinha de papel, continuou caminhando até receber um telefonema, e então, 20 minutos depois, é que levou a mão à cabeça para se queixar do "golpe". José Serra então fez uma tomografia, mas não foi encontrado nenhum ferimento, apenas sentiu "náuseas". O ocorrido gerou uma onda de críticas no Twitter, utilizando-se as hashtags #serrarojas e #BolinhadePapelFacts.

Compra da TV Paulista Em 1955, o proprietário da TV Paulista, Oswaldo Ortiz Monteiro decidiu vender a sua emissora as Organizações Victor Costa pertencente ao empresário Victor Costa Petraglia, pois a emissora passava por dificuldades financeiras. Porém, Petraglia morreu antes do contrato de transferência ser assinado e então teoricamente a emissora deveria ter retornado para as mãos Oswaldo Ortiz Monteiro. Entretanto o filho de Petraglia decidiu vender a TV Paulista, mesmo sem os documentos de transferência, à Roberto Marinho, que assumiu o controle da emissora. Na década de 1990, depois da a morte de Oswaldo Ortiz Monteiro, sua família começou a investigar a fraude na compra da emissora. Uma perícia feita em 2003, descobriu que as assinaturas do contrato foram falsificadas e incluíram desde nomes de pessoas falecidas antes da transferência até o uso de máquinas de escrever que ainda não existiam na época da suposta transferência. No dia 24 de agosto de 2010, o Supremo Tribunal de Justiça considerou válida a compra de TV de São Paulo pela Globo.

Muito Além do Cidadão Kane - Em 1993, o Channel Four, uma rede de TV Britânica, produziu um filme que conta a história da Rede Globo de Televisão e as ações sombrias no país até o ano de 1990. O documentário foi proibido no Brasil desde 1994, graças a uma ação judicial movida por Roberto Marinho. Atualmente existem poucas cópias em circulação no Brasil, além de versões piratas circulando pela internet, como no site Youtube.[19] O filme conta com a participação de alguns artistas, políticos, e especialistas como Luiz Inácio Lula da Silva, Chico Buarque, Leonel Brizola e Washington Olivetto. O documentário jamais esteve no circuito de cinemas brasileiros e a exibição que ocorreria no Museu de Arte Moderna (MAM), do Rio de Janeiro, foi proibida pelo então presidente da República, Itamar Franco. 

Escândalo do Papa-Tudo - Com a finalidade de concorrer com a Tele Sena de Silvio Santos, a TV Globo em parceria com o então banqueiro Arthur Falk lançou no início da década de 1990 um título de capitalização chamado Papa-Tudo, que tinha César Filho como apresentador e Xuxa Meneghel como garota-propaganda. A venda deste tele-bingo era igual a da Tele Sena: o comprador adquiria o título em casas lotéricas e correios e caso não fosse contemplado poderia resgatar metade do valor pago após um ano ou comprar um novo título pela metade do preço. Entretanto, chegou uma ocasião em que os prêmios pararam de ser pagos, culminando com a prisão de Arthur Falk pelo crime de estelionato, entretanto, ninguém da Rede Globo foi responsabilizado.

Rede Diário fora das parabólicas - Em 25 de fevereiro de 2009, feriado de Cinzas, a Rede Diário, emissora paralela à TV Verdes Mares (Afiliada à Rede Globo em Fortaleza), deixou de ser transmitida pelas antenas parabólicas (que chegava toda América do Sul e parte do Caribe) e as afiliadas que a tinha em quase todo o Brasil, pegando seus telespectadores de surpresa que tentaram a assistir nas parabólicas e nas afiliadas que passaram a transmitir outras redes a partir naquele dia. A Rede Diário passou ser transmitida apenas no Ceará e estados vizinhos, com 29 operadoras de TV por assinatura. Nas semanas que se seguiram a saída da Rede Diário o fim das transmissões foi logo associado à Rede Globo (através de pressões à TV Verdes Mares) e uma nota controversa da Globo em que afirmava que a Diário "é uma afiliada da Rede Globo", pois a Rede Diário vencia outras redes rivais da Globo, incluindo a própria Globo (que perdia uma grande fatia da audiência da Diário).

A mesma situação viveu o canal de satélite Amazonsat, de propriedade da Rede Amazônica, que entre os anos de 1988 a 2004 podia ser captado em parabólicas analógicas em canal aberto, porém a partir de 2004 o sinal foi codificado e somente pode ser captado por parabólicas com receptor digital através da aquisição de cartão com o código para decodificação.

Monopólio de transmissão em eventos esportivos - A Rede Globo é frequentemente acusada de monopólio às transmissões esportivas, principalmente ao Campeonato Brasileiro desde 1999. As transmissões passaram para os canais de TV por assinatura pertencente às Organizações Globo e na SKY (na qual a Globo tem participação).

Na verdade, esse monopólio (que começou aos poucos no início dos anos 90) só foi facilitado graças ao lançamento das primeiras operadoras de TVs por assinaturas no Brasil, coincidindo também às desistências às principais redes concorrentes, SBT, Record, Gazeta, Manchete (hoje RedeTV!) e Bandeirantes para esses eventos esportivos, sob alegação de custos às transmissões e baixa audiência.

Depois disso, com esses direitos dados à Organizações Globo, configurava a prática de cartel, que impedia outras redes transmitir as partidas, já que até então os canais das Organizações Globo eram únicas a transmitir e dividia as transmissões a algumas redes concorrentes (principalmente Bandeirantes e RedeTV!).

Em 20 de outubro, depois de 10 anos de tentativas, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), obrigou que a Globo desistisse a preferência em transmitir partidas de futebol do Campeonato Brasileiro e o Clube dos 13 (grupo que reúne 20 grandes times do futebol brasileiro, mas é chamado Clube dos 13) a se comprometer a oferecer pacotes diferentes de divulgação para cada tipo de mídia (TV aberta, TV fechada, pay per view, internet e celular), a partir dos campeonatos de 2012 a 2014. Fonte: Wikipedia