25/07/2016

Stuart Hall (1932)

Teórico cultural jamaicano que trabalha no Reino Unido. Ele contribuiu com obras chave para os estudos da cultura e dos meios de comunicação, assim como para o debate político.

Em 1951 Hall mudou-se para Bristol, aonde viveu antes de ir para Oxford. Ele estudou como um bolsista Rhodes no Merton College, na Universidade de Oxford, onde obteve o seu mestrado (M.A.) Trabalhou na Universidade de Birmingham e tornou-se o personagem principal do Birmingham Center for Cultural Studies. Entre 1979 e 1997, Hall foi professor na Open University.

Nos anos 1950, após ter trabalhado na Universities and Left Review, Hall juntou-se a E. P. Thompson, Raymond Williams e outros para fundar a revista New Left Review – na esteira da invasão soviética da Hungria em 1956 (que fez com que muitos membros do partido comunista da Inglaterra se desfiliassem e procurassem alternativas à ortodoxia soviética). Sua carreira deslanchou após co-autorar com Paddy Whannel “The popular arts” em 1964. O convite feito por Richard Hoggart para que Hall entrasse no Birmingham Center for Cultural Studies foi um resultado direto dessa publicação.

Em 1968 Hall tornou-se o diretor dessa unidade situada na Universidade de Birmingham. Ele escreveu muitos artigos influentes nos anos que seguiram, incluindo: Situating Marx: Evaluations and Departures (1972), Encoding and Decoding in the Television DiscoursePolicing the Crisis (1978).

Após ser nomeado professor de sociologia na Open University em 1979, Hall publicou uma série de livros influentes, incluindo: The Hard Road to Renewal (1988), Resistance Through Rituals (1989), The Formation of Modernity (1992), Questions of Cultural Identity (1996) e Cultural Representations and Signifying Practices (1997). Em 1997, Hall aposentou-se da Open University.

IDEIAS

O trabalho de Hall é centrado principalmente nas questões de hegemonia e de estudos culturais, a partir de uma posição pós-gramsciana. Hall concebe o uso da lingüagem como determinado por uma moldura de poderes, instituições, política e economia. Essa visão apresenta as pessoas como “produtores” e “consumidores” de cultura ao mesmo tempo. (A hegemonia na concepção de Gramsci refere-se à produção de consenso e não ao recurso exclusivo à coerção).

Hall tornou-se um dos principais advogados da teoria da recepção. Esse ramo da análise textual dá atenção à possibilidade de negociação e de oposição por parte da audiência no processo de recepção de um texto (compreendido como não apenas escrito, mas oral e visual). Isso significa que a audiência não é apenas uma receptora passiva de um texto. Sua recepção é um processo ativo, onde há negociação em torno da significação. O significado depende do contexto cultural da pessoa, fator que pode explicar porque alguns aceitam uma forma de leitura de um texto que outros rejeitam.

Hall desenvolveu ainda mais essas idéias à frente em sua carreira, com seu modelo de codagem/decodagem do discurso midiático. Segundo esse modelo, o significado de um texto situa-se em algum lugar entre o produtor e o leitor. Embora o produtor codifique seu texto de uma forma particular, o leitor irá decodificá-lo de uma maneira levemente diferente – o que Hall chama de “margem de entendimento”.

Seus trabalhos – como os estudos sobre preconceito racial e mídia – são considerados muito influentes e fundadores dos contemporâneos estudos culturais.

Pode-se notar a influência de Hall sobre o Partido Trabalhista do Reino Unido, embora o próprio recuse a associação. Hall escreveu muitos artigos para a revista teórica do partido comunista da Inglaterra, “Marxismo Hoje”, nos quais contestou visões clássicas da esquerda sobre o mercado e o conservadorismo político. Seu discurso teve um impacto profundo no Partido Trabalhista sob Neil Kinnock e Tony Blair, especialmente porque boa parte daqueles em volta dos dois líderes chegaram à maturidade política quando do auge do “Marxismo Hoje”.

Contudo, Hall vê-se a si mesmo como mais distanciado do Partido Trabalhista do que nunca. Telespectadores britânicos conhecem-no por seus comentários sensatos sobre as questões que se colocam atualmente no país envolvendo uma sociedade acentuadamente multi-cultural. Hall apresenta o programa “Politicamente Incorreto” na CNBC. Embora menos conhecido na América Latina, Hall é muito respeitado na Europa e na América do Norte. Fonte: Wikipedia