08/07/2016

Zuenir Ventura (1931)

Jornalista e escritor brasileiro. É colunista do jornal O Globo e da revista Época.

Ganhou o Prêmio Jabuti em 1995, na categoria reportagem, pelo livro Cidade Partida. Seu livro 1968: o Ano que Não Terminou serviu de inspiração para a minissérie Anos Rebeldes, produzida pela Rede Globo

Cronologia 

1954 - Ingressa na Faculdade Nacional de Filosofia, da ex-Universidade do Brasil, hoje UFRJ, onde quatro anos depois recebe o diploma de bacharel e licenciado em Letras Neolatinas. Durante os três primeiros anos no Rio mora no bairro de Vila Isabel na casa da sua tia Elisa, avó de João Máximo, um primo que mais tarde se tornaria jornalista por sua indicação. Constante na família Ventura, o nome Elisa seria escolhido por Zuenir para batizar sua filha.

1955 - Trabalha como assistente do filólogo Celso Cunha na cátedra de Língua Portuguesa, na então Faculdade de Jornalismo, que se transformaria mais tarde em Escola de Comunicação, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.


1956 - É redator de “A História em Notícia”, dirigida por Amaral Netto, uma publicação paradidática que tratava os acontecimentos históricos em linguagem jornalística.

1957 - Por indicação de um professor seu da faculdade, Hélcio Martins, vai trabalhar como arquivista da “Tribuna da Imprensa” no horário das seis da tarde à meia-noite.

1958 - Carlos Lacerda, proprietário do jornal, pede um artigo sobre Albert Camus, autor que ninguém da redação conhecia bem e de quem Zuenir gostava. Escreve e, graças ao sucesso do texto, passa a integrar a equipe de copidesque da “Tribuna”, sendo depois um dos secretários de redação.

1959 - Ganha em concurso uma bolsa de estudos do governo francês para o Centro de Formação de Jornalistas, em Paris.

1960/1961 - Paralelamente aos estudos, trabalha como correspondente da “Tribuna” na capital francesa. Faz uma reportagem curiosa para a revista “Senhor” sobre a moda dos umbigos de fora em Saint-Tropez e, para o jornal, cobre a passagem de Jango por Paris, antes de vir assumir o poder, a Conferência de Paz para a Argélia, em Évian, o encontro de cúpula entre Kennedy e Kruschev, em Viena. Quando volta ao Brasil, conhece Mary Akiersztein na redação da “Tribuna”, de onde ela era repórter, e começam a namorar.

1962 - Casa-se com Mary. Vai para o “Correio da Manhã” como editor internacional e passa a dar aula de Comunicação Verbal na Escola Superior de Desenho Industrial, da qual é um dos fundadores.

1964 - Mary vai cobrir o Festival de Cinema de Cannes para o “JB” já grávida, acompanhada do marido, numa viagem providencial. A polícia procurava os dois como “subversivos”. Em Cannes, começa uma forte amizade com Glauber Rocha, que participava da competição com “Deus e o diabo na terra do sol”. Na volta, nasce Elisa, sua segunda filha.

1965 - É convidado para reformular e dirigir a redação do “Diário Carioca”. Transfere-se em seguida para a revista “O Cruzeiro”, da qual passa a ser chefe de reportagem.

1966 - Dirige a redação da revista “Fatos & Fotos”.

1967 - Participa da concepção de “O Sol”, jornal que faria história mesmo durando alguns meses apenas. Chefia a sucursal Rio da revista “Visão”.

1968 - Acompanha em Paris a mobilização dos estudantes. Tido como o articulador da imprensa do Rio para o Partido Comunista, é preso após o AI-5 e passa três meses entre o Sops, o Dops, o quartel da PM Caetano de Faria e o do Exército em Harmonia. Divide cela com Hélio Pellegrino, Ziraldo, Gerardo Mello Mourão e Osvaldo Peralva. No mesmo dia de sua prisão, sua mulher e seu irmão são levados pela polícia e permanecem presos durante um mês. Zuenir deixa a prisão em março de 1969 com o aval de Nelson Rodrigues, que conseguira junto aos militares a libertação de Hélio Pellegrino, mas este condicionou sua saída à do companheiro de cela.

1969 - Produz para a Editora Abril a série de 12 reportagens “Os anos 60 - A década que mudou tudo”, mais tarde lançada em livro.

1970 - Dirige a redação do “Correio da Manhã”.

1971 - Volta para a “Visão”, ocupando a chefia da sucursal carioca até 1977.

1974 - Numa edição especial da “Visão” sobre os dez anos da ditadura militar, escreve uma reportagem sobre a cultura neste período em que, para espanto de artistas e intelectuais, Glauber Rocha afirma que Golbery do Couto e Silva, chefe do SNI, era um “gênio da raça”. Em seguida, cobre a Revolução dos Cravos, em Portugal, onde encontra Glauber.

1975 - Colabora como roteirista no documentário “Que país é esse?”, realizado por Leon Hirzsman para a Rádio e Televisão Italiana.

1977 - Troca a "Visão" pela "Veja", também como chefe da sucursal. Neste período, coordena a cobertura da morte de Cláudia Lessin Rodrigues, com a qual os repórteres Valério Mainel e Amigucci Gallo ganham o Prêmio Esso. A equipe descobre que Cláudia não morrera de overdose, como sustentavam os assassinos, mas por causa de uma pancada na cabeça. Participa também de uma matéria de capa sobre a violência no Rio, na qual se usa pela primeira vez a expressão "guerra civil" para abordar o tema.

1980 - Faz uma longa entrevista para a "Veja" com Carlos Drummond de Andrade, depois de décadas de silêncio do poeta.

1981 - Vai para a “IstoÉ”, também como diretor da sucursal do Rio.

1985 - É convidado a reformular a revista Domingo, do “Jornal do Brasil”.

1986 - Edita o Caderno B e logo depois cria o Caderno B-Especial e o suplemento semanal Idéias, voltado principalmente para a literatura.

1988 - Fica afastado dez meses do jornal para escrever “1968 - O ano que não terminou”, que se torna um best-seller, já tendo vendido mais de 200 mil exemplares. O livro também é usado como inspiração para a minissérie “Anos rebeldes”, de Gilberto Braga e Sérgio Marques, na Rede Globo.

1989 - Por decisão dos editores Marcos Sá Corrêa e Flávio Pinheiro, é feito repórter especial do “JB” e, como tal, vai ao Acre, onde o líder seringueiro e ecologista Chico Mendes fora assassinado em dezembro de 1988. Fica mais de um mês no estado apurando o crime e produz uma série de reportagens que lhe vale dois prêmios: o Esso de Jornalismo, o mais importante do país, e o Wladimir Herzog, de direitos humanos.

1993 - Como reação às chacinas da Candelária (oito meninos mortos) e de Vigário Geral (21 pessoas mortas), ajuda a criar o Viva Rio, organização não governamental voltada para projetos sociais e campanhas contra a violência.

1994 - Depois de passar nove meses indo à favela de Vigário Geral, transforma a experiência no livro “Cidade partida”, um retrato das causas da violência no Rio. O livro ganha o Prêmio Jabuti de Reportagem.

1995 - Por decisão do então editor-chefe Dácio Malta, torna-se colunista semanal do “Caderno B”. Numa viagem a Cuba com uma delegação brasileira, encontra-se com Fidel Castro e entrevista ao lado de Rubem Fonseca o escritor cubano Senel Paz.

1997 - “Cidade partida” é traduzido para o italiano com o título “Viva Rio”.

1998 - Abre a coleção “Plenos pecados”, da editora Objetiva, com “Inveja - Mal secreto”, livro em que, entre outras coisas, narra seu tratamento vitorioso contra um câncer na bexiga. Também escreve, a convite do caricaturista Cássio Loredano, “O Rio de J. Carlos” (Lacerda Editores), um longo texto seu acompanhando desenhos do cartunista.

1999 - Deixa o “Jornal do Brasil” e passa a assinar duas colunas: uma em “O Globo”, aos sábados, e outra na revista “Época”, inicialmente semanal e depois quinzenal. Reúne textos escritos para “Jornal do Brasil”, “O Globo” e “Época” no livro “Crônicas de um fim de século”.

2000 - Publica com Heloísa Buarque de Hollanda e Elio Gaspari o livro “Cultura em trânsito - 70/80”, com textos escritos nessas décadas. Com Izabel Jaguaribe, realiza o documentário “Um dia qualquer”, capítulo da série “Seis histórias brasileiras”, coordenada por João Moreira Salles para o canal a cabo GNT.

2001 - Passa a escrever textos semanais também para o site no.com.br.

2002 - Com o fim de no.com.br, parte da equipe cria o site nominimo.com.br, para onde Zuenir também escreve. Faz as entrevistas e o roteiro de “Paulinho da Viola - Meu tempo é hoje”, documentário dirigido por Izabel Jaguaribe para marcar os 60 anos do cantor e compositor.

2003 - Passa a escrever duas vezes por semana na página de opinião de “O Globo”, deixando a coluna de sábado no Segundo Caderno. Deixa de escrever na revista “Época”. Volta ao Acre depois de 13 anos e, a partir do que vê, escreve a última parte de “Chico Mendes – Crime e castigo”, livro lançado pela Companhia das Letras tendo como base a premiada série “O Acre de Chico Mendes”. Fonte: Wikipedia