22/09/2016

Indústria Cultural

Aquilo que a indústria cultural oferece de continuamente novo não é mais do que a representação, sob formas sempre diferentes, de algo que é sempre igual". Adorno
Horkheimer e Adorno criaram o conceito de "indústria cultural" e propuseram as linhas gerais de sua crítica. Essa expressão não se refere a empresas produtoras, nem a técnicas de comunicação, mas sim, certo uso dessas tecnologias. O capitalismo desfez os limites da economia e penetrou o campos da formação da consciência, transformando os bens culturais em mercadoria. Ele gerou, involuntariamente, uma democratização da cultura, ao tornar bens culturais em objeto de produção industrial.

O termo foi utilizado pela primeira vez no texto Dialética do Iluminismo, publicado em 1947, no qual os autores fazer uma crítica ao termo "cultura de massa", que trazia uma confusão ao dar a entender que cultura de massa referia-se à cultura produzida de maneira espontânea pelas massa populares. A expressão "cultura de massa", que se referia a uma cultura que surge naturalmente das próprias massas, foi substituída por "indústria cultural". A cultura de massa era a razão mesma do processo de modernização, e os meios de comunicação passaram a ser seus principais instrumentos de realização. Nesse "mercado de massas" é imposto a estandardização e organização, impondo esteriótipos e baixa qualidade, excluindo tudo que seja novo e não garante o lucro. O termo mass media surgiu com o objetivo de designar a indústria cultural.
Nas sociedades capitalistas avançadas, defenderam, a população é mobilizada a se engajar nas tarefas necessárias à manutenção do sistema econômico e social através da consumo estético massificados, articulado pela indústria cultural. As tendências à crise sistêmica e deserção individual são combatidas, entre outros meios, através da exploração mercantil da cultura e dos processos de formação da consciência. Assim sendo, acontece porém que seu conteúdo libertador se vê freado e, ao invés do conhecimento emancipador em relação às várias formas de dominação, as comunicações se vêem acorrentadas à ordem social dominante". Rufiger
Na indústria cultural, o indivíduo deixa de decidir autonomamente e adere acríticamente aos valores impostos. Para Adorno, o consumidor não é soberano, como a industria cultural queria fazer crer, é o seu objeto. A pessoa passa a ter uma pseudo-indivudualidade, na qual sua identidade está vinculada à sociedade. Os produtos seriam feitos para impedir a atividade mental do espectador. A estratégia de manipulação da Indústria Cultural se reflete na estrutura multiestratificada das mensagens. Ou seja, a mensagem oculta pode ser mais importante do que a que se vê (Adorno).  A manipulação do público ocorre nos níveis latentes das mensagens (médio e longo prazo). 
O efeito de conjunto da indústria cultural é o de uma antidesmistificação, de um anti-iluminismo (anti-Aufklarung). A desmistificação, a Aufklarung, a saber, a dominação técnica progressiva, transforma-se em atrativo sedutor e enganoso das massas, ou seja, bloqueia a sua consciência. Ela impede a formação de indivíduos autônomos, independentes, capazes de julgar e de decidir conscientemente. Enfim, a indústria cultural impede as massas de atingir a emancipação"Araújo e Souza