01/10/2016

Rede Excelsior (1960-1970)

Rede Excelsior foi uma rede de televisão brasileira cuja primeira emissora, a TV Excelsior de São Paulo, entrou no ar em 9 de julho de 1960. 

Um dos seus beneficiados foi o radialista Vitor Costa, que depois de uma carreira vitoriosa na Rádio Nacional do Rio de Janeiro, adquiriu a Rádio Mayrink Veiga, embrião da Organização Vitor Costa. No final da década de 1950, o grupo detinha as concessões das rádios Excelsior e Nacional e do canal TV Paulista na São Paulo e havia conseguido junto ao governo Juscelino Kubitschek para um segundo canal de televisão na cidade, a futura TV Excelsior.



A concessão foi adquirida por Cr$ 80 milhões (cruzeiros), valor extremamente elevado para época. Além da concessão, foram adquiridos um pequeno lote de equipamentos entre os quais figurava algumas câmeras, uma torre e um transmissor. 

Excelsior no Ar

A Excelsior entrou no ar em 9 de julho de 1960, com uma programação centrada em jornalismo, séries e filmes estrangeiros. Concorria com a TV Tupi e a TV Cultura, pertencentes ao empresário Assis Chateaubriand (a Cultura hoje pertence à instituição pública Fundação Padre Anchieta), que comandava o complexo dos Diários Associados; com a TV Paulista das Organizações Victor Costa, e com a TV Record da família de Paulo Machado de Carvalho.

Primeira televisão brasileira a se utilizar tanto da programação horizontal, em que a mesma atração é exibida no mesmo horário todos os dias e a programação vertical, em que a atração que sucede a anterior visa manter o público desta por afinidade de conteúdo, torna-se dentro de seis meses de operação a líder de audiência na cidade de São Paulo.


Foi em 1962 que se tornou a primeira emissora no país a tentar transmitir em cores. O sistema utilizado foi o NTSC americano e o primeiro programa em cores foi o Moacyr Franco Show, de Moacyr Franco. A TV Tupi somente transmitiria em cores em 1964, quando começou a transmitir o seriado Bonanza aos sábados. A TV Record também começaria a transmitir em cores a partir do seriado Bonanza. O Sistema NTSC não decolou no Brasil, pois os receptores em cores eram muito caros. A primeira transmissão oficial, já com o sistema Germano-Brasileiro PAL-M, foi realizada pela Rede Record e TV Rio, em parceria com a Rede Globo, Rede Tupi e TV Bandeirantes, a partir da TV Difusora de Porto Alegre, em 1972, com a Festa da Uva de Caxias do Sul.

Em 1963 a Excelsior começa a implantar o conceito de rede de televisão no Brasil, visto que a TV Tupi de São Paulo encarava sua homônima do Rio como concorrente. A TV Excelsior canal 2 do Rio entrou no ar em 02 de setembro de 1963, com o programa "O Rio é o Show".

A TV Excelsior do Rio inovou no telejornalismo ao lançar o noticioso Jornal de Vanguarda, criado pelo jornalista Fernando Barbosa Lima, que trazia vários locutores e comentaristas em uma linguagem leve e coloquial. A Excelsior usava da tecnologia do vídeo tape, novidade da época, para distribuir programas que eram exibidos na mesma hora pelas várias TV afiliadas. A Excelsior do Rio de Janeiro vieram se juntar outras em Belo Horizonte, (TV Vila Rica), Porto Alegre (TV Gaúcha) e Brasília (TV Nacional) entre outras.

Também de criação da TV Excelsior são jingles musicais para anunciar a próxima atração, previsão do tempo e a hora certa. A emissora foi a primeira a ter um logotipo: dois círculos e uma circunferência que formavam um triângulo voltado para baixo. Suas mascotes eram duas crianças chamadas de Ritinha e Paulinho, que protagonizaram diversas vinhetas.

Crise e fim da TV Excelsior

Em 1964, a Excelsior passou por uma grande crise, sob pressão da ditadura militar, que a forçou a tirar programas do ar, os quais traziam renda à emissora, junto com a Panair do Brasil, empresa da qual Mário Wallace Simonsen era sócio. 

A censura imposta à imprensa, no caso da Excelsior, era exposta ao público: seus diretores não reeditavam vários programas que tinham partes vetadas pela censura, e, às vezes, exibiam, no lugar das partes censuradas, os seus mascotinhos com as bocas e os ouvidos tapados, com a legenda "CENSURADO". 

Para acentuar a crise, o empresário Celso Rocha Miranda perdeu as concessões de voo da Panair dois anos depois. Cinco dias depois, a Panair "falia", por ato emitido pela ditadura militar brasileira.

A Excelsior, sem dinheiro e com a conta estourada, é vendida ao Grupo Folha de S. Paulo, que a devolve aos antigos donos pouco tempo depois. Em 1969, TV Excelsior era um nome que não podia ser dito no governo militar, pois ela estava perseguida, endividada e abandonada. Ocorreram ainda dois incêndios na TV Excelsior em uma única semana. 

No final do ano, a emissora perdia mais dinheiro e se encontrava na decadência. A partir daí, a emissora só teve mais problemas com o governo da ditadura: perdeu cerca de 170 milhões de Cruzeiros só em impostos e outras dívidas.

Em 1º de outubro de 1970, a Excelsior se encontrava à beira da falência. Por volta das 18h40, Ferreira Neto invade o estúdio, que estava transmitindo um programa humorístico (Adélia e Suas Trapalhadas), e anuncia aos telespectadores que o governo da ditadura decretara o fim da Excelsior. Naquele momento, na central da Excelsior, estavam alguns técnicos do DENTEL, que lacraram as antenas de transmissão e assim, tiraram a emissora do ar. A Rede Excelsior acabava ali.

Judicialmente, a Excelsior tinha o prazo máximo de até 15 de dezembro de 1970 para "acertar as contas" com o governo Médici, ou seja, pagar no mínimo metade de tudo o que devia. No fim do prazo, a estação não havia pago nem 1% de tudo que devia. No dia 15 de dezembro, as concessões outorgadas à Excelsior foram cassadas.

Nova Excelsior

Em novembro de 2013, o jornal O Estado de S.Paulo divulgou que o Ministério das Comunicações havia protocolado um pedido do empresário Paulo Masci de Abreu em 31 de outubro daquele ano para outorgar a extinta TV Excelsior. O pedido possibilita a retomada da concessão de um canal no Rio de Janeiro e outro em São Paulo. Fonte: Wikipedia